A importância da imunização: mitos e verdades

Qua, 20 de Junho de 2018 00:00   

Médico do Hapvida esclarece algumas dúvidas quando o assunto é vacinas

Nos últimos meses, o tema da vacinação tem estado em alta devido à Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza 2018, que busca imunizar professores, trabalhadores da saúde, gestantes, puérperas, indígenas, crianças de seis meses a cinco anos, e idosos contra os vírus H1N1 e H3N2. No dia 6 de junho, o Ceará atingiu a meta de 90% de cobertura da vacina, sendo o primeiro do Nordeste e o terceiro do país a alcançar a meta. No entanto, o Ministério da Saúde prorrogou a campanha até o dia 22 de junho para que seja atingida a meta nacional, que no último boletim estava em 75,8%.

Mesmo tendo atingido a meta, ainda faltam ser vacinadas 9.588 crianças de seis meses a menores de dois anos, 104.180 crianças de dois anos a menores de cinco anos, 17.639 gestantes, 1.853 indígenas e 82.899 idosos para que o Ceará atinja 100% de cobertura vacinal. O médico infectologista do Hapvida, Dr. Glaydson Ponte, reforça a importância de todos os indivíduos do grupo prioritário se vacinarem. “Todas as pessoas pertencentes a esse grupo devem se vacinar, pois tivemos muitos casos de morte por Síndrome Respiratória Aguda provocada pelo vírus da influenza (59, no Ceará). Os grupos prioritários têm que se vacinar, pois estão mais expostos ao vírus e têm um risco maior de desenvolverem casos graves da doença”.

Sobre a imunização, o infectologista lembra que a vacina é o mecanismo mais eficiente para proteger o organismo contra doenças. “A vacina expõe um pedaço de um vírus ou de uma bactéria, ou ainda um vírus modificado, que não tem a capacidade de causar a doença, a um organismo que vai produzir os anticorpos que irão ficar circulando e, quando esse indivíduo tiver contato real com o vírus ou a bactéria que causa a doença, ele estará protegido contra ela”, conta.

Quando se vacinar
Alguns indivíduos estão mais sujeitos a contraírem determinadas doenças e precisam estar atentos às vacinas indicadas. Na infância a vacinação é de fundamental importância por ser nessa faixa etária que ocorrem a maior parte das viroses, bem como as doenças bacterianas que podem levar a quadros graves. “Por essa razão, desde o nascer, já existe a necessidade de vacinas importantes, como a BCG, que protege contra as formas graves de tuberculose, a Hepatite B, a Trípilice Viral, que é contra Sarampo, Rubéola e Caxumba, a contra a Varicela, e as vacinas contra doenças bacterianas como contra a Influenza, Difteria, Tétano e Coqueluche”, afirma Dr. Glaydson.

Entretanto não é só na infância que devemos nos vacinar. As crianças precisam se vacinar por não terem um sistema imunológico maduro, mas a vacinação é muito importante também para os idosos e pessoas com baixa imunidade. “O que acontece é que ou o organismo ainda está imaturo para se defender de determinadas doenças, no caso das crianças de 0 a 6 meses, ou já está cansado, no caso de indivíduos idosos, ou ele é portador de alguma doença que baixa a imunidade como o lúpus ou o HIV, ou ainda faz algum tratamento que baixa a imunidade como a radioterapia, à quimioterapia ou o uso de corticoides cronicamente, que atrapalham a formação de anticorpos”, argumenta o especialista.

Dr. Glaydson Ponte reforça ainda que, se indicadas pelo Ministério da Saúde, as pessoas devem se vacinar mesmo contra doenças erradicadas ou incomuns no Brasil. “Recentemente, tivemos um surto de Sarampo na Europa, uma doença que era praticamente erradicada aqui no Brasil, e aqui tivemos casos na Bahia e também no interior do Ceará. Então, mesmo essas vacinas contra doenças que não são comuns no nosso país devem ser tomadas”, finaliza.
 

Mitos e verdades por Dr. Glaydson Ponte
  • Vacinas podem causar efeitos colaterais?
“As vacinas geralmente quando causam efeitos colaterais, são efeitos leves e rápidos, como dor, febre, vermelhidão no local da aplicação. Contudo, isso acontece em poucos casos. Raríssimos são os casos que têm efeitos graves. Por essa razão não se justifica, pelo benefício que a vacina traz, a pessoa não tomar”.
  • Quem tem baixa imunidade pode tomar vacina?
“Pode. As pessoas que têm baixa imunidade podem tomar algumas vacinas tranquilamente, como aquelas que não são de vírus vivos, feitas com pedaços do vírus que não têm a capacidade de causar a doença (Influenza), ou aquelas feitas com antígenos (Hepatite B). Entretanto, para tomar algumas vacinas, o indivíduo deve consultar o médico, pois, dependendo da necessidade ou da doença, podem ou não se vacinar. No caso da vacina contra a febre amarela, por exemplo, que é feita com o vírus vivo atenuado, precisa ser avaliado a necessidade de se tomar. Caso a pessoa vá viajar para alguma região que seja uma zona endêmica (o Ceará não é) e ela tenha baixa imunidade, é importante consultar seu médico para que ele avalie se ela pode tomar essa vacina com segurança”.
  • Tem alguma diferença entre vacina de clínica e vacina de posto?
“Na verdade, os laboratórios que fabricam as vacinas geralmente têm uma qualidade muito boa. A questão e problema da vacina é a conservação. Se no posto tiver um sistema que garanta a refrigeração da vacina nos parâmetros de temperatura considerados adequados, ela é tão segura quanto a das clínicas de vacinação. Contudo, é mais comum as clínicas terem mecanismos de segurança, como geradores, que, no caso de falta de energia, garantem a conservação da vacina e, consequentemente, sua eficácia e qualidade”.
  • Pessoas alérgicas a ovo podem tomar a vacina contra gripe?
“Sim. Quando essa alergia se apresenta de forma leve (urticária), as pessoas alérgicas ao ovo podem sim tomar a vacina da gripe com segurança. No caso daqueles em que a alergia já se apresentou de forma mais grave, com inchaço dos olhos ou outro efeito mais grave que precisou de internação ou medicação, a vacinação deve ser feita com acompanhamento, na primeira meia hora, em alguma instituição de saúde, para observação”.
  • A vacina da gripe pode causar gripe?
“Não. Isso é um mito. A vacina da gripe é muito segura, feita apenas com partículas virais. Ela não tem capacidade de levar à doença. Por isso, mesmo as pessoas que tem uma imunidade baixa, que inclusive pertencem ao grupo prioritário da campanha de vacinação contra a Influenza, devem tomar a vacina. Afinal, esse grupo de pessoas, caso sejam infectadas com o vírus, podem desenvolver quadros graves da doença, que podem levar até ao óbito”.